As camadas da resiliência cibernética que os CISOs precisam conectar
No mês de conscientização da cibersegurança, campanhas sobre senhas, autenticação e prevenção de golpes continuam essenciais, mas já não respondem ao principal desafio das empresas, que é manter o negócio funcionando quando uma invasão ultrapassa a primeira linha de defesa
O Gartner estima que os gastos mundiais com segurança da informação alcançarão US$ 240 bilhões até o final deste ano, crescimento de 12,5% em relação aos US$ 213 bilhões projetados para 2025. Serviços e softwares de segurança devem representar cerca de US$ 214 bilhões desse total. Nesse contexto de investimento, os CISOs precisam conectar prevenção, proteção de identidades e chaves, monitoramento contínuo, infraestrutura resiliente e capacidade efetiva de recuperação.
Uma estratégia moderna de resiliência cibernética é construída em múltiplas camadas, da identificação de riscos à recuperação de dados e de operações. Criptografia, gestão e soberania de dados também integram essas camadas de resiliência cibernética, que precisam estar articuladas aos planos de continuidade do negócio para reduzir os impactos de incidentes.
Definir as prioridades de proteção exige conhecer os ativos críticos e as necessidades de cada empresa. Nas operações de segurança, esse conhecimento combina automação, inteligência artificial e análise humana especializada para responder à velocidade exigida pelo novo cenário de ameaças. "Acreditamos em um modelo de detecção e resposta gerenciada (MDR) que combina automação inteligente com proximidade ao cliente. Antes de implementar qualquer tecnologia, é preciso compreender o contexto do negócio, seus ativos críticos e desafios específicos”, diz Lucas Castro, CSO e diretor comercial da IT Protect.
O monitoramento também precisa alcançar ameaças externas, como fraudes e uso indevido da marca. Na abordagem da Teletex, a inteligência artificial entra na estratégia de segurança não como uma vertical isolada, mas embarcada nas plataformas de segurança, observabilidade e infraestrutura utilizadas pela empresa para identificar comportamentos, correlacionar eventos e antecipar problemas. “A adoção de Cyber Threat Intelligence (CTI) permite monitorar fraudes, falsos domínios, uso indevido de marca, campanhas de phishing e vazamentos de dados. Por meio de operações de takedown e inteligência de fontes abertas (OSINT), é possível agir antes que ameaças externas causem impactos reputacionais ou financeiros.”, explica Bruno Pereira, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Teletex.
Na proteção dos dados, o planejamento precisa considerar a capacidade de atualizar os mecanismos de segurança. É o caso da migração para a criptografia pós-quântica, que exige uma revisão da infraestrutura. Para as empresas que terão de realizar essa mudança nos próximos anos, há uma oportunidade de reduzir a dificuldade de alterar a criptografia em uma grande quantidade de sistemas. “A migração para a criptografia pós-quântica já vai exigir trabalho das empresase isso representa uma boa oportunidade para revisitar a arquitetura, começar a planejar a criptoagilidade e preparar-se para um futuro em que as mudanças ocorrerão com mais frequência.”, explica Rafael Silva, diretor da Futurex.